domingo, 14 de dezembro de 2014

Comentário - A Batalha dos Cinco Exércitos

TEM SPOILER!!! TIREM QUEM AINDA NÃO ASSISTIU DA SALA!
A Batalha dos Cinco Exércitos é o longa que fecha a trilogia O Hobbit que adaptou do volume único de fantasia do mesmo nome de JRR Tolkien, mas disso você já sabia. Mais do que isso, fecha o arco dramático da história iniciada nos filmes anteriores (ou no mínimo se propõe a isso), levando às conclusões e atribulações finais da jornada iniciada pelos anões para recuperar o antigo reino de Erebor ao lado de Gandalf e Bilbo do Condado, e em segundo plano, se propondo a criar as bases para os conflitos subsequentes que seriam (já foram) contados em Senhor dos Anéis. Desse ponto de vista, o filme se sai muito bem; não sei se a eterna ligação que se faz entre O Hobbit e Senhor do Anéis seja algo ruim. Entretanto pra mim não tem problema, afinal, uma história se baseia nos fatos ocorridos na outra, embora a impressão que passe é que O Hobbit é dependente de Senhor dos Anéis, e não o contrário, que era o mais lógico por ter acontecimentos cronologicamente anteriores (pelo motivo que o grande triunfo ainda foi Senhor dos Anéis). Mas vamo parar de ser chato: Peter Jackson, no final das contas, entregou um desfecho digno de Terra Média pra história que quis começar.
Eu sempre digo que quando aponto um ou dois ou até três problemas num filme, isso quer dizer que eu gostei do filme, pois quer dizer que só existem esses mesmo. E talvez seja esse meu posicionamento quanto à este filme; um posicionamento um tanto duvidoso, eu confesso, porque eu me considero fã da obra de Tolkien e dos filmes também, e tudo que vier a respeito de Senhor dos Anéis que tiver um tantinho de dignidade, eu engulo, e aplaudo, e defendo e convido alguém pra assistir comigo. Mas como autor desse comentário, eu vou sair da minha pele e tentar ser o mais imparcial possível.
O filme começa eletrizante, isso é certo. Smaug deixa de ser uma criaturinha que bate papo com hobbits e mostar do que realmente é capaz sobre a má-fadada Cidade do Lago. Porém essa cena me recorda do final de A Desolação de Smaug, um final tosco, com a dignidade de uma novela como Avenida Brasil, que no momento do ápice terminava com a imagem congelando e aquela música lá. A cena inicial funciona bem e é importante, já que em meados do filme assuntos relacionados a ela retomam discurso, mas parece que ela só existia no filme por não ter entrado no final do outro. E mais uma vez, a cena é foda.
Outra crítica é em relação ao desfecho do filme; ao esclarecimento de uma resolução em particular... Do tipo, Erebor ficou sem rei, como é que é isso? E agora José? Obvio que existe uma solução, mas ela não foi apresentada de forma clara ou mesmo subjetiva no filme, sendo que de certa forma o protagonismo da trama era toda sobre Erebor, antes de Bilbo, Thorin. Erebor era a grande sacada de tudo, que levou tudo a acabar como acabou. Eu careci de esclarecimentos, mas... nada!
Se a primeira e segunda parte eram aventuras, essa terceira é um épico de guerra. Eu podia separar meia hora das duas horas e meia de projeção em que os personagem não se confrontam ou se discutem. O todo o resto possui uma atmosfera de tensão constante ou ação pungente com uma forte trilha sonora ora com temas novos, ora com as melodias que foram tocadas em Senhor dos Anéis, reafirmando, através do meio técnico, a ligação que ambas as histórias devem ter. E os efeitos especiais realizam seu triunfo.
Na boa, por que ainda existe gente que se contorce com efeitos especiais de computação gráfica? Cara, isso era nos anos 90 (e quando o negócio era bem trabalhado, nos entregavam pérolas como Parque dos Dinossauros). Efeito especial não soa mais falso em produções que utilizam dele com consciência, aí você vai duvidar das decisões de Peter Jackson, que já levou 200 Oscars com Senhor dos Anéis?! Não, o efeito especial aqui nos faz esquecer que, pelo menos na prática, aqueles orcs e águias e construções monumentais só existem na imaginação; quando o orc brada um martelo contra alguém, você sente o peso daquele personagem, sente a presença dele na cena. O que você podia querer mais? Um manolo escroto com uma fantasia de borracha ressecada? Poupai-me da sua chatice.
Existindo, além de tudo, para explicar as bases dos conflitos que enraizaram a trama em Senhor dos Anéis, A Batalha dos Cinco Exércitos e, de um modo geral, O Hobbit, cumprem muito bem esse papel. Todas as motivações dos personagens, todas as decisões cometidas parecem de forma perfeita gerar a bola de neve que se esbarrou para que, num futuro não muito distante, mais quatro hobbits partissem de Bolsão em outra jornada inesperada.
E um auê muito grande à sacada genial que acontece nas cenas entre Bilbo e Thorin, este consumido pela tal "doença da montanha" que sina todo rei a enlouquecer de ganância e obsessão pelo ouro. Perceba como gradualmente, na mente de Bilbo, a voz de Thorin passa a soar como a voz de Smaug, fazendo-o associar a personalidade de ambos. É claro que você percebeu isso. Eu achei genial.
E por fim, talvez uma das cenas que mais me emocionou, nos últimos segundos de filme. Nos deparamos com uma cena que figurou em Sociedade do Anel porém filmada de um ângulo diferente (não me pergunte como conseguiram fazer isso; apenas regorgeie mais uma conquista por parte de Peter Jackson e sua equipe competente - ou equipetente). Ouvimos as vozes que rolaram na passagem, só que distantes, enquanto a câmera se direciona a um pergaminho com um mapa (provavelmente, toda a Terra Média). Como você já leu/assistiu, você sabia que Gandalf ainda voltaria a visitar Bilbo Bolseiro. O Hobbit deveria existir apenas para explicar essa segunda visita, mas Peter Jackson nos entregou mais uma obra digna de aplausos, suor másculo escorrendo pelo olho e que fiquemos sentados até os créditos acabarem.
Ps.: Eu não fiquei porque tava de carona.
Consideração1: Algumas coisas são explicadas da forma menos didática possível, sendo que alguém que não conhece os personagens e a história (anterior e futura) não vai entender ou até mesmo se entediar. Mas, afinal, o que uma pessoa dessas estaria fazendo numa sessão de O Hobbit? (rsrs)
Consideração2: Tauriel :´)
Consideração pouco considerável: Os cinco exércitos mencionados no título de forma convencionada me parecem ser: o exército dos anões, dos humanos, dos elfos, e os dois exércitos de orcs.

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