quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Invocação do Mal - Comentário

<-- O SATANAIS EXISTE MEU FILHO!!!
A primeira coisa que alguém que me conhecesse poderia me dizer, quando eu iniciasse um falatório sobre Invocação do Mal (2013), seria: "Ah, mas você não viu a segunda parte da história, Anabelle" (que inclusive, saiu esse ano). Ora, eu não preciso assistir a segunda parte pra lançar uma análise sobre a primeira, a não ser que as obras sejam tão intimamente ligadas quanto uma série tal qual O Hobbit, e mesmo assim cada filme teria que ter uma razão própria pra existir, não existindo apenas pra preceder acontecimentos de um filme seguinte. Se fosse assim, pra que ficar enrolando? Por que não ir direto ao ponto, ou seja, onde os acontecimentos concretos e decisivos realmente se desenrolam? Um ingresso de cinema tá custando é 15 reais!!!
Desta maneira, The Conjuring, como é o título original em inglês, me parece ser o filme sobre a resolução, pelo casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren, do assombroso caso de possessão demoníaca na casa de uma família com 6 crianças. A proposta inteligente aqui é transmitida em meados do filme, quando os estudiosos Warren afirmam que objetos podem ser manipulados por entidades malignas para chegarem até pessoas em que possam encarnar. Objetos como a boneca Anabelle, presentinho recolhido de outro dos tantos casos de exorcismo investigados pelo casal (que costumava recolher todos os objetos demonificados dos seus casos numa espécie de porão museu, dentro de sua residência, segundo o filme).
O que explica, então, a eterna pendência da boneca Anabelle nesse filme? Parece mais um chamariz, já que o acontecimento mais famoso envolvendo o casal, aparentemente, diz respeito à essa boneca do satanais, e os produtores acharam que não mostrar os relances da moranguinho do capeta no trailer não atrairia espectadores. Como explicar as tantas cenas em que a boneca aparece mostrando suas feições, mudando subitamente de lugar, atacando as pessoas na casa dos Warren, quando eles estavam ocupados com a pobre família? Sei lá!
Uma coisa é certa, se o filme NÃO é sobre o caso Anabelle, porque então ele insiste em fazer cortes súbitos em cenas inexplicáveis daquela boneca/espírito? Qual a razão de ela tá no filme? E eu falo sério, nem mesmo um significado especial, nenhuma aparente resolução...! As cenas com a boneca ficaram totalmente gratuitas e o que as faz ainda aceitáveis é que soam assustadoras, já que as passagens na casa da família não o eram suficiente. A verdade é que, mesmo eu me considerando um medroso condecorado e de não ter visto muitos filmes de terror (o que me torna provavelmente uma vítima fácil pro gênero), só me assustei numa cena em que uns quadros vão ao chão aos montes. Nada de espírito, nada de tensão; apenas pelo estardalhaço daquela mobília endemoniada.
Ora, se haveria um filme inteiramente dedicado à boneca, por que não dedicar esta "primeira parte" apenas ao caso da família atormentada? Explorar mais aquilo ali para não resultar numa espécie de misto entre O Exorcista e Bruxa de Blair?
Piadas à parte, é um filme que no mínimo vale a pena. A minha única crítica é em relação às cenas gratuitas com a boneca, e só. Quanto ao fato de dar susto ou não, o que todo filme do gênero terror é suposto a fazer, vai da opinião de cada pessoa. Na verdade, talvez eu não seja tão bundão quanto eu pensei.
A sugestão final é, assistam Invocação do Mal. É no mínimo um filme interessante e com uma lógica igualmente interessante, de modo a dar fôlego ao gênero de terror que nos últimos anos só tava entregando filmes ruins e que, diga-se de passagem, quase me fizeram perder o interesse por produções atuais do gênero. :)
Considereichons.: se isso não parecer demasiado pessoal, eu queria deixar aqui um elogio pelo uso da música Time of Season, um rock clássico dos Zombies, logo no início do filme, o que meio que passa a crueza da história que vai se passar a seguir.

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