O FILMIO, FOI FEITCHIO, COM O SINGÉLIO OBIJETÍVIU, DE DIVERTÍRIU
O auê aí é o ói!
Esse filme serviu de continuação informal para 2002 A taça do mundo é nossa. O enredo se desenvolve primordialmente dentro de um tribunal, onde é travada a luta entre o advogado idealista Botelho Pinto (Murilo Benício) e a assistente Priscila (Maria Paula Fidalgo) contra as Organizações Tabajara sob a acusação de que teriam usado um cosmético de testes no paciente (digo, cobaia) Lindauro das Dores(Bussunda) que causou inesperados efeitos colaterais. Atrelado a isso, Botelho nutre um ódio de uma vida pela multinacional que, segundo o seu flashback, foi a responsável pela ração contaminada que transformou seu carneiro de estimação num animal pervertido e incendiário que tocou fogo no orfanato em que passou a infância. Os advogados de gel no cabelo farão de tudo para provar a inocência das Organizações e que Botelho não passa de um oportunista descabelado.
O humor do filme se baseia em maneirismos, piadas sem a mínima lógica, trocadilhos que se valem tanto do léxico quanto das imagens, personagens estereotipados e com defeitos de pronúncia, escárnio, palavrões, portuglês, referências e paródias e uma grande surpresa no final. Uma bela salada humorística; tudo e mais um pouco que um filme de comédia precisa ter. Se o Casseta & Planeta usa isso da melhor maneira possível? Sim. E o tempo todo, eu diria. É incrível a capacidade dos caras de espremer uma situação pra retirar todas as possibilidades dela; tudo vira piada. E é essa a grande pretensão do filme: transformar tudo numa grande piada. É um filme que entende o que é mas nem por isso se limita; vai além do imaginável para nos fazer rir. Utilizando, primordialmente, da honestidade. E por isso talvez seja tão bom, tão aproveitável e tão memorável. Se você algum dia pegar um filme e passar tempos e tempos lembrando de cenas dele, pode ter certeza que aquele é um bom filme.
Se eu fosse citar algumas das piadas memoráveis em cena, eu iria produzir um texto enorme e mais cansativo do que críticas são geralmente, e talvez spoilar mais do que pretendo, mas vamos lá. Como não lembrar de uma das primeiras cenas, quando, no tribunal, o juiz pede silêncio e tem um cara com uma britadeira numa obra dentro do recinto? Ou dos jornais anunciando o caso das Organizações Tabajara, com a paródia de Larry King que no final de uma frase fala "the book is on the table"? Ou os cartazes de manifesto nada-a-ver com "Liberdade a Mário" - "Que mário?" - "Aquele que te carcou atrás do armário"? Ou a consciente participação de Juliana Paes num comercial onde ela é nada mais que a gostosa? Ou o efeito colateral do cara que tem a bunda pra frente? É tudo louco e muito hilário, é uma das pérolas do nosso cinema, sacaneando, quem diria, até o próprio, em cenas onde um taxista afirma que, se aquele é um filme brasileiro, então ele deveria mostrar penúria, guerra ao tráfico e personagens favelados, ou quando os dois policiais que se afirmam gringos tem vozes amplamente conhecidas de dubladores brasileiros e uma dublagem intencionalmente mal feita.
O que dizer dos personagens? Eu poderia muito bem ser chato e afirmar que são mal construídos, mas o quão bundão eu não estaria sendo?! Os personagens são tão bacanas que oscilam entre o inovador e o estereótipo de forma convincente e engraçada. A lida com estereótipos fica bem clara na frase de Ubiracy: "eu era um sujeito normal, igual a todo mundo, sempre acima do peso e sem saco pra fazer ginástica". E como se não bastasse a forma como Os seus problemas acabaram funciona bem, no clímax do filme o enredo nos entrega um personagem em desenho animado que atua com o vilão e instantaneamente se integra à história, provando que a equipe do Casseta não teme em experimentar e arriscar. E bingo, eles acertam! O único defeito desse personagem é ter pouco tempo de cena. Na verdade, o filme só falha em ser tão curto, porque seria um prazer ter mais e mais minutos diversão com o Casseta & Planeta.
A dica é: assistam esse filme. Diversão é garantida. O que você poderia querer mais?
Consideração: este foi o último trabalho de Bussunda, então também por isso é tão notável. Bussunda atuou principalmente como Lindauro e o irmão surfista de Priscila, cujas únicas palavras são "O auê aí é o ói" (pelo que eu consegui entender), e rouba a cena sempre que aparece, provando o grande humorista que era o Bussunda.
Consideração2: esperem os créditos terminarem.

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